Estrabismo
O estrabismo é o desalinhamento dos eixos visuais dos dois olhos. Em crianças, o diagnóstico precoce é determinante para prevenir a ambliopia permanente. Em adultos, a diplopia súbita pode ser sinal de emergência neurológica.
Definição e classificação
O estrabismo ocorre quando os seis músculos extraoculares de cada olho não coordenam o movimento binocular de forma precisa, resultando em desvio do eixo visual de um ou ambos os olhos. A prevalência é de 2–4% da população, sendo uma das condições oftalmológicas mais comuns na infância.
Esotropia
Desvio convergente (olho vira para dentro). A forma mais comum em crianças pequenas. Pode ser acomodativa (relacionada à hipermetropia) ou não acomodativa.
Exotropia
Desvio divergente (olho vira para fora). Frequentemente intermitente — o desvio aparece em situações de cansaço, distância ou luz intensa.
Hipertropia / Hipotropia
Desvio vertical (olho para cima ou para baixo). Frequentemente associado a paralisia de músculos oblíquos ou patologias neuro-oftalmológicas.
Estrabismo paralítico
Causado por paralisia de nervo craniano (III, IV ou VI par). Diplopia é o sintoma principal. Em adultos, exige investigação neurológica urgente.
Sinais de alerta
Leucocoria (reflexo branco na pupila) em criança é emergência oftalmológica — deve ser investigada imediatamente para excluir retinoblastoma.
Estrabismo em crianças — por que o tempo importa
O sistema visual se desenvolve nos primeiros anos de vida. Quando um olho desvia, o cérebro em desenvolvimento aprende a ignorar as imagens daquele olho para evitar diplopia — processo chamado supressão. Se a supressão persiste durante o período crítico de plasticidade visual (até aproximadamente 7–9 anos), instala-se a ambliopia: redução permanente da acuidade visual que não melhora apenas com óculos.
O tratamento da ambliopia exige oclusão do olho dominante (tampão) para forçar o uso do olho amblíope. A eficácia é inversamente proporcional à idade — quanto mais cedo iniciado, melhor o resultado. Após os 9–10 anos, a resposta ao tratamento é significativamente menor.
Por isso, toda criança deve ter o primeiro exame oftalmológico antes dos 3 anos, mesmo sem queixas — e imediatamente se houver qualquer suspeita de desvio ocular pelos pais ou pediatra.
Opções de tratamento
Correção óptica
Em estrabismo acomodativo, a prescrição adequada dos óculos (especialmente para hipermetropia) pode resolver completamente o desvio. É sempre o primeiro passo antes de considerar intervenção cirúrgica.
Oclusão (tampão)
Cobertura do olho dominante por horas por dia para estimular o desenvolvimento visual do olho amblíope. Eficácia máxima antes dos 7 anos. Requer adesão familiar e seguimento regular.
Prismas e toxina botulínica
Prismas corretivos nos óculos neutralizam desvios pequenos e eliminam diplopia em adultos. A toxina botulínica (Botox) nos músculos extraoculares é opção em desvios recentes, paralíticos ou como complemento cirúrgico.
Cirurgia dos músculos extraoculares
Indicada quando o desvio persiste após correção óptica adequada ou quando o ângulo é grande. Envolve recessão (enfraquecimento) ou ressecção (fortalecimento) dos músculos extraoculares. Realizada sob anestesia geral em crianças. Taxa de sucesso de 70–80% em cirurgia primária.
Perguntas frequentes
Suspeita de estrabismo? Agende avaliação.
O assistente de IA é um serviço exclusivo do Dr. Augusto Legnani e não representa o OFTA VITTA Hospital Oftalmológico.